domingo, 25 de março de 2012

Três sem terras são assassinados no município de Uberlândia (MG)

por Zé Carlos (Mov. Ação Popular)


Três coordenadores do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) foram covardemente assassinados, neste sábado, 23 de março de 2012, na rodovia estadual MG C - 455, entre Uberlândia e Campo Florido, no Triângulo Mineiro.

Segundo a Polícia Militar, os corpos de Valdir Dias Ferreira, 39, e "Dona Cristina" Cristina Leonor Sales Nunes, 47, estavam num Kadet, parado na estrada, provavelmente dirigido por Valdir, e teriam sido mortos dentro do veículo, onde foram encontrados. A terceira vítima, Nilton Santos Nunes da Silva, 51, de acordo com a PM, foi encontrado fora do carro, e teria sido morto quando tentava fugir.

Uma garota, neta do casal, que estava no carro e presenciou o crime, mesmo em estado de choque, deu informações aos policiais, que poderão levar aos autores do crime que teria ocorrido por volta das 9h da manhã deste sábado, a polícia só recebeu o chamado para ir ao local quase duas horas depois dos assassinatos. A criança que sobreviveu, porque não foi vista pelos assassinos, revelou a PM que um gol prata parou ao lado do Kadet que estava parado, do qual desceram dois homens que atiraram primeiro em Cristina, que estava no banco traseiro do veículo ao lado da neta, o segundo a ser morto com tiros no pescoço foi Valdir, em seguida "seu Milton", foi alvejado na cabeça enquanto tentava fugir. As três vítimas são da coordenação do MLST, do acampamento 21 de Agosto, na fazenda São José do Cravo, em Prata, também no Triângulo Mineiro.

Neste domingo chegaram a Uberlândia, Gercino José da Silva,
Ouvidor Agrário Nacional e Carlos Alberto Menezes de Calazans, Superintedente do Incra de Minas Gerais, para acompanhar o caso.
Há diferentes hipoteses dos motivos que levaram ao assassinato dos trabalhadores, mas a polícia cívil que investiga o caso até o momento não havia feito nehuma declaração oficial. 


Pela manhã dois ônibus com militantes de diversos movimentos da região se deslocaram rumo a Cachoeira Dourada onde seriam sepultados "Seu" Milton e "Dona" Cristina, já o corpo de Valdir foi velado em Uberlândia até as 10:00 e somente depois foi enviado  para o Estado de São Paulo, onde reside seus familiares. 

terça-feira, 6 de março de 2012

Não há vida digna para as mulheres com violência e sem direitos


Mulheres do PSOL no Dia Internacional de Luta das Mulheres

O PSOL vem às ruas novamente neste Dia Internacional de Luta das Mulheres para reafirmar que a luta contra o machismo e o capitalismo se faz todo dia. Resistindo e denunciando toda forma de violência sexista, a opressão e o controle sobre nossos corpos e decisões.Almejamos uma sociedade socialista e livre, na qual as mulheres tenham vez e voz, superando definitivamente a opressão de gênero e de classe.
“É nesse contexto que denunciamos e combatemos a violência sexista, resultante  da ideologia machista e patriarcal que considera a mulher um ser menor,sem direitos, subalterno. Essa violência se repete diariamente e moldou um comportamento de aceitação e trivialidade que nos indigna. Ela se expressa nos vários  tipos de violência que se impõem sobre as mulheres, seja a violência física, simbólica, patrimonial, institucional,  seja a violência estrutural do sistema capitalista que retira direitos essenciais como saúde, educação, moradia, previdência social, emnome da manutenção do lucro do  grande capital”.
Se no primeiro mandato da presidenta Dilma houve, já no primeiro mês, cortes de orçamento em áreas sociais importantes para a vida das mulheres, hoje vemos em curso a consolidação de uma política de saúde da mulher vinculada à sua função procriativa e que criminaliza o aborto, como é o caso da Rede Cegonha, da sanção da MP557 (Cadastro de Gravidez) e a nomeação do Senador Marcelo Crivella, principal figura pública da bancada pró-vida no senado, para o Ministério da Pesca.Infelizmente, pautas das mulheres e LGBTs, como a PLC 122e o kit anti-homofobia, são utilizadas como barganha com a bancada conservadora, evidenciando que o governo petista está do lado dos corruptos e do empresariado brasileiro, desenvolvendo o capitalismo brasileiro e não se preocupa em extinguir as estruturas de sua exploração e opressão.
Com o recrudescimento da violência machista em nosso país, que vem causando o aumento de assassinatos de mulheres vítimas de seus companheiros ou de homens da família, assim como os casos de estupro de mulheres em transportes públicos e lesbofobia, torna-se urgente a implementação do Pacto de Enfrentamento à Violência contra Mulher. Porém, com oscortes nos orçamentos federal e estaduais, não se garante a infra-estrutura e investimentos mínimos necessários para assegurar o funcionamento eficaz da Lei Maria da Penha, o que poderia garantir a vida e integridade física de milhares de mulheres brasileiras.
Por outro lado, a violência estrutural existente em nossa sociedade também trás, consigo, um viés de gênero e de raça. As mulheres negras e indígenas são maioria nos movimentos de luta por moradia e nas comunidades e territórios apropriados pelo setor privado, assim como pelo poder estatal. É com a utilização do aparato policial e judiciário, que o governo Dilma e diversos governos estaduais promovem remoções forçadas nessas comunidades e territórios para destiná-los às obras da Copa do Mundo, às obras do PAC e obras de especulação imobiliária em geral em várias partes do país, principalmente Amazônia e no semi árido nordestino.Um exemplo grave desse tipo de violência foi o ocorrido em Pinheirinho, cidade de São José dos Campos, e o que se anuncia novamente no Quilombo Rio dos Macacos, na Bahia. Outros casos como esses se repetem em várias cidades que sediarão a Copa e em vários territórios indígenas e camponeses com as obras de Belo Monte, da Transposição do Rio São Francisco, entre outros.
Nesta conjuntura tão adversa, é preciso construir o protagonismo feminista e socialista nas lutas e na denúncia das violências sofridas pelas mulheres epelo conjunto da classe trabalhadora brasileira. A atualidade do Dia Internacional de Luta das Mulheres, que foi inaugurado pelas mulheres russas em 1917, se expressa no enfrentamento da desigualdade de classe e entre homens e mulheres, da violência sexista e dos valores patriarcais ainda tão cristalizados em nossa sociedade. É por isso que as mulheres assumiram o protagonismo em vários movimentos e insurreições por todo o mundo. É por isso que o 8 de março segue sendo uma inspiração na luta feminista do PSOL para continuar lutando por socialismo e liberdade!