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terça-feira, 8 de maio de 2012

Denúncia do MLT sobre ameaças de fazendeiros e abuso de autoridade da PM


Nós, do Campo Debate Socialista – PSOL (Uberlândia), nos solidarizamos com nosso total e incondicional apoio aos trabalhadores acampados do MLT e a todos os outros trabalhadores que sofrem cotidianamente repressão e agressão por parte da Polícia Militar.
Expressamos por aqui todo o nosso apoio ao MLT e à luta cotidiana pela concretização de uma verdadeira Reforma Agrária, que na atual conjuntura é ignorada pelo Governo Federal, por adotar políticas que beneficiam a esfera do capital agrário representado pelos latifundiários, grandes monocultores e usineiros que utilizam força de trabalho em regime de semi-escravidão. Lembrando que em nossa região observamos a onda crescente de criminalização, violência e até extermínio dos lutadores lutadoras sociais do campo, como no caso das recentes execuções de três militantes do MLST em Uberlândia. 
Estaremos juntos com o MLT e todos os demais Movimentos Populares na luta por uma Reforma Agrária sob o controle dos trabalhadores; e na luta contra a criminalização de todos e todas que lutam pela construção de uma sociedade justa, sem pobreza, sem exploração e sem discriminação.
 Campo Debate Socialista – PSOL (Uberlândia)
Uberlândia, 9 de maio de 2012.
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SEGUE ABAIXO A NOTA DO MLT



MOVIMENTO DE LUTA PELA TERRA
O MLT DENUNCIA AMEAÇAS DE FAZENDEIRO E O ABUSO DE AUTORIDADE POR PARTE DE POLICIAIS MILITARES EM UBERLANDIA-MG
No dia 05 de maio (Sábado) as famílias acampadas na Fazenda Campanha no município de Uberlândia na região do Triangulo Mineiro foram por duas vezes agredida e ameaçadas por policiais militares.
Por volta das 14:00 h três coordenadores do MLT (dois companheiros e uma companheira) acampados na Fazenda desde dia 16 de março de 2012, foram até alcunhas pessoas que faziam uma cerca próximo ao acampamento entre elas uns dos proprietários conhecido como Elson e pediram para que eles parassem com a cerca pois a área estava ocupada e o local estaria sendo colocados famílias, os mesmo atenderam sob o argumento que estariam se informando com o advogado deles na segunda-feira, no momento da conversa chega uma viatura da policia militar atendendo o chamado do fazendeiro dirigindo-se ao mesmo, quando questionado por um dos coordenadores do MLT se estariam fazendo uma ocorrência os policiais com arma em punho já foram logo  os agredindo verbalmente chamando de vagabundos e filhos da puta e que eles eram invasores e a terra pertencia ao fazendeiro e o mesmo podia fazer a cerca em qualquer lugar, após o ocorrido a viatura deixa o local em alta velocidade, deixando clara a evidencia do incentivo policial ao confronto entre as partes.
Chegada à noite por volta das 19:00h um FIAT Uno 4 portas de cor prata com três homens passa pelo acampamento em direção a sede da fazenda, ao retornar dessa vez só com o condutor, o mesmo joga o carro sobre o colchete arrebentando-o e voltando deu vários cavalos de pau e falando achou ruim cambada de vagabundos é só o começo eu vou voltar em seguida evadiu se do local, as famílias assustadas pelas ameaças e reconhecendo o condutor do veiculo como parente do fazendeiro ligaram pra o 190 onde depois de muita insistência por volta das 21:00h chegam duas viaturas da PM sob o comando do Sarg. Ribeiro com arrogância e sem dar muita atenção ao coordenador que chamou a presença policial, desceram em direção a sede da fazenda e depois de alguns minutos retornaram ameaçando a todos mais uma vez com xingamentos em seguida o cabo Ronaldo e outros empunham as armas na direção das famílias chamando para o confronto, a policia que deveria proteger e aliviar a preocupação  torna-se opressora, nessa altura companheiros liga para os coordenadores nacionais do MLT expondo os fatos, que de imediato pede ajuda a Dra. Marilda, ao Zé Francisco Assessor do Incra-MG, Frei Rodrigo da Pastoral da Terra até conseguir falar com o Dr. Afonso Henrique Promotor Agrário-MG que ao interar-se dos fatos conseguiu enviar uma terceira viatura ao local sob o comando do Cap. Mauro, que chegam por volta das 22:30h junto com a direção nacional do MLT, em seguida o Cap. Mauro fala com o Dr. Afonso pelo o celular de um dos dirigentes do movimento informando ao mesmo que ira apurar os fatos, após apurados os fatos o Cap. Mauro na presença de todos ordena que seja feito o BO relatando tudo inclusive a postura do Cabo Ronaldo e outros e que no final do turno enviaria por e-mail o boletim, infelizmente para nossa surpresa o  Boletim de Ocorrência nº M6398-2012-0059227 e REDS 2012-000927940-001 não menciona em nenhum momento a postura covarde dos policiais, omitindo os fatos que atribui a esses policiais o descumprimento constitucional do seu dever.
Por tudo isso o MLT reivindica a imediata investigação desse fato punindo os responsáveis  com a participação da Ouvidoria Agrária Nacional do MDA, INCRA, Promotor Agrário de Minas Gerais, Dr. Afonso Henrique, Secretaria Especial de Direitos Humanos, Ministério da Justiça e Policia Federal.
Por fim esse crime não pode ficar em pune as famílias foram ameaçadas por esses fardados e fora da lei, tanto elas como aqueles que foram testemunhas e estão qualificados no BO teme por suas vidas.

                                                                                             Uberlândia, 07 de maio de 2012   
      
Coordenação Nacional do MLT

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Abril Vermelho em Uberlândia contra a violência e criminalização dos movimentos sociais é recebido à bala.



Na manhã de terça-feira do dia 17 de abril de 2012 iniciou-se a atividade do Abril Vermelho em frente à reitoria da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) contando com a presença de cerca de 300 manifestantes. A atividade tradicionalmente organizada pelo MST dessa vez contou com a presença de outros vários movimentos e entidades do campo e cidade de Uberlândia e região através da criação do Comitê de Combate a Violência e Criminalização dos Movimentos Sociais.

O Abril Vermelho em Uberlândia teve o objetivo de evidenciar o avanço da criminalização dos movimentos sociais e a crescente onda de violência e repressão, denunciando a impunidade das execuções de vinte e um sem-terra no Eldorado dos Carajás (PA) em 1996, cinco em Felisburgo (MG) no ano de 2004 e o recente assassinato de três companheiros do MLST em Uberlândia.  Contou ainda com uma pauta de reivindicações para a Universidade Federal de Uberlândia demandando o retorno das atividades da assessoria jurídica popular da UFU para os movimentos sociais, criação de projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados para a Reforma Agrária e Urbana, e não implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) no Hospital Universitário.

A UFU respondeu nossa manifestação (veja o video ao lado) com o fechamento dos portões e o som explosivo de uma arma de fogo disparada por um segurança privado a fim de reprimir a manifestação. Indignados os manifestantes exigiram a retirada das armas das mãos dos seguranças, o que foi acordado com a Polícia Militar e Polícia Federal e não foi cumprido.

Sob clima de tensão, nos mantivemos firmes mesmo com as intimidações, exigindo da reitoria da universidade a recepção de uma comissão do comitê para apresentação de nossa carta de reivindicações. Na parte da tarde a comissão foi recebida pelo vice-reitor Darizon Alves de Andrade, onde o mesmo não quis se comprometer com as reivindicações afirmando que não é função da Universidade atender as questões da Reforma Agrária. Sobre a vigilância o vice-reitor afirmou que defende o armamento para garantir a integridade patrimonial da universidade, mas não soube esclarecer como e de que forma.

O papel da Universidade Federal de Uberlândia está sendo o de produzir conhecimento orientado por uma lógica de um modelo de desenvolvimento econômico que exclui as camadas mais necessitadas e populares da sociedade uberlandense e região, não cumprindo com os objetivos da universidade pública de criar mecanismos de integração e desenvolvimento que estimule a solidariedade na construção de uma sociedade democrática e justa, no mundo da vida e do trabalho. Estes objetivos inclusive constam em estatuto da UFU o que demonstra o quanto é mentirosa as declarações do vice-reitor ao fazer uma afirmação que isenta a universidade de suas responsabilidades.

Em Uberaba
No mesmo dia, em outra ação do Abril Vermelho cerca de 80 famílias Sem Terra, do MST, do Acampamento Roseli Nunes II – MST do Triângulo Mineiro - ocuparam a Fazenda Inhumas, no município de Uberaba. Na madrugada de 18/04, por volta das 05h00min, um grupo de segurança privada da Empresa Máster chegou ao acampamento efetuando disparos contra os militantes. Sem mandado judicial, por volta das 08h00min, a Polícia Militar de Uberaba prendeu algumas das lideranças: Edvaldo Soares e Adelson Luís. A PM alegou flagrante o que não ocorreu uma vez que as famílias já estavam com suas barracas erguidas e com estrutura montada no imóvel. A Fazenda Inhumas faz parte de uma grande fazenda que foi desmembrada em três fazendas. As outras duas fazendas já estão tomadas por canavial que produz cana para a Usina Vale do Tejuco, que integra o Consórcio CMAA – Companhia Mineira de Açúcar e Álcool -, que está instalando mais outras duas Usinas na região do Triângulo.

Sabemos que isso tem a ver com a adoção do Estado brasileiro de um modelo de desenvolvimento voltado para o agronegócio exportador que traz consequências negativas para os trabalhadores no campo e cidade. Quem ousa lutar e resistir é tratado com repressão e violência.

O dia de 17 de abril de 2012 torna-se mais um marco histórico para a unidade da classe trabalhadora e para as lutas dos movimentos sociais de Uberlândia e região que não se curvam aos interesses do capital e lutam por outro projeto societário.

Reforma Agrária já!
Quando o campo e a cidade se unem, a burguesia não resiste!
Viva a unidade da classe trabalhadora do campo e cidade! 
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CARTA DO COMITÊ DE COMBATE A VIOLÊNCIA E CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS PARA A UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Uberlândia 17 de Abril de 2012
Entendendo que o Estado brasileiro hoje adotou como modelo de desenvolvimento o agronegócio exportador que traz consequências negativas para os trabalhadores no campo, quilombolas e indígenas;
Entendendo que este mesmo modelo afeta a população da cidade na medida em que a saída dos trabalhadores do campo levou a uma urbanização extremamente acelerada no Brasil sob os marcos da desigualdade social e ilegalidade;
Entendendo que o papel da Universidade Federal de Uberlândia está sendo o de produzir conhecimento orientado por essa lógica desenvolvimentista que exclui as camadas mais necessitadas e populares da sociedade uberlandense e região, não cumprindo com os objetivos da universidade pública de criar mecanismos de integração e desenvolvimento que estimule a solidariedade na construção de uma sociedade democrática e justa, no mundo da vida e do trabalho;
Entendendo que o parágrafo anterior tem como sua última evidência a proibição da ESAJUP (Escritório de Assessoria Jurídica Popular) em prestar atendimento e auxílio aos movimentos sociais de luta pela terra no processo da Reforma Agrária e que isso evidencia mais uma vez a exclusão de discriminação com setores das classes trabalhadores organizados ou não;
Entendendo que o conjunto de movimentos e entidades da sociedade sente-se mais uma vez prejudicada com a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares uma vez que ela significa a abertura da privatização da saúde pública;
Entendendo que existe uma onda crescente da violência, criminalização e extermínio de militantes dos movimentos sociais e populações pobres do campo e cidade na luta por seus direitos e condições dignas de sobrevivência tendo como último fato trágico, a execução de três militantes da reforma agrária de Uberlândia (militantes que inclusive estavam em áreas de conflitos em que a ESAJUP foi proibida de prestar auxílio jurídico pela reitoria da UFU).
Entendendo que o fato lamentável e ultrajante em que a segurança terceirizada da UFU apontou e disparou com uma arma de fogo para reprimir os manifestantes na atividade pacífica de hoje na porta da reitoria (atividade que justamente denunciava a questão da violência no campo e cidade);
Nós do Comitê de Combate a Violência e Criminalização dos Movimentos Sociais viemos colocar por meio desta, nossas demandas para a Universidade Federal de Uberlândia:
1)      Retorno das atividades de assistência da ESAJUP aos Movimentos Sociais;
2)      Criação de projetos de ensino, pesquisa e extensão que priorizem o auxílio às comunidades de assentamentos e acampamentos voltados para a Reforma Agrária e Urbana;
3)      Não implementação da EBSERH no Hospital Universitário da UFU.
4)      Desarmamento da segurança nos campi da UFU
5)      Audiência pública com o magnífico reitor Alfredo Júlio para esclarecimentos e posição oficial da Universidade frente às demandas.
Assinam este documento,
Comitê de Combate a Violência e Criminalização dos Movimentos Sociais.
MST, MLST, MPRA, MSTB, ADUFU, CSP-CONLUTAS, DCE-UFU, Coletivo DialogAção, Coletivo Vamos a Luta, Coletivo Juntos, Consulta Popular, Centro Acadêmico de História, Centro Acadêmico de Ciências Sociais, Movimento de Acesso ao Transporte Público, Central dos Movimentos Populares. 

FOTOS














domingo, 25 de março de 2012

Três sem terras são assassinados no município de Uberlândia (MG)

por Zé Carlos (Mov. Ação Popular)


Três coordenadores do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) foram covardemente assassinados, neste sábado, 23 de março de 2012, na rodovia estadual MG C - 455, entre Uberlândia e Campo Florido, no Triângulo Mineiro.

Segundo a Polícia Militar, os corpos de Valdir Dias Ferreira, 39, e "Dona Cristina" Cristina Leonor Sales Nunes, 47, estavam num Kadet, parado na estrada, provavelmente dirigido por Valdir, e teriam sido mortos dentro do veículo, onde foram encontrados. A terceira vítima, Nilton Santos Nunes da Silva, 51, de acordo com a PM, foi encontrado fora do carro, e teria sido morto quando tentava fugir.

Uma garota, neta do casal, que estava no carro e presenciou o crime, mesmo em estado de choque, deu informações aos policiais, que poderão levar aos autores do crime que teria ocorrido por volta das 9h da manhã deste sábado, a polícia só recebeu o chamado para ir ao local quase duas horas depois dos assassinatos. A criança que sobreviveu, porque não foi vista pelos assassinos, revelou a PM que um gol prata parou ao lado do Kadet que estava parado, do qual desceram dois homens que atiraram primeiro em Cristina, que estava no banco traseiro do veículo ao lado da neta, o segundo a ser morto com tiros no pescoço foi Valdir, em seguida "seu Milton", foi alvejado na cabeça enquanto tentava fugir. As três vítimas são da coordenação do MLST, do acampamento 21 de Agosto, na fazenda São José do Cravo, em Prata, também no Triângulo Mineiro.

Neste domingo chegaram a Uberlândia, Gercino José da Silva,
Ouvidor Agrário Nacional e Carlos Alberto Menezes de Calazans, Superintedente do Incra de Minas Gerais, para acompanhar o caso.
Há diferentes hipoteses dos motivos que levaram ao assassinato dos trabalhadores, mas a polícia cívil que investiga o caso até o momento não havia feito nehuma declaração oficial. 


Pela manhã dois ônibus com militantes de diversos movimentos da região se deslocaram rumo a Cachoeira Dourada onde seriam sepultados "Seu" Milton e "Dona" Cristina, já o corpo de Valdir foi velado em Uberlândia até as 10:00 e somente depois foi enviado  para o Estado de São Paulo, onde reside seus familiares.