quarta-feira, 18 de abril de 2012

Abril Vermelho em Uberlândia contra a violência e criminalização dos movimentos sociais é recebido à bala.



Na manhã de terça-feira do dia 17 de abril de 2012 iniciou-se a atividade do Abril Vermelho em frente à reitoria da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) contando com a presença de cerca de 300 manifestantes. A atividade tradicionalmente organizada pelo MST dessa vez contou com a presença de outros vários movimentos e entidades do campo e cidade de Uberlândia e região através da criação do Comitê de Combate a Violência e Criminalização dos Movimentos Sociais.

O Abril Vermelho em Uberlândia teve o objetivo de evidenciar o avanço da criminalização dos movimentos sociais e a crescente onda de violência e repressão, denunciando a impunidade das execuções de vinte e um sem-terra no Eldorado dos Carajás (PA) em 1996, cinco em Felisburgo (MG) no ano de 2004 e o recente assassinato de três companheiros do MLST em Uberlândia.  Contou ainda com uma pauta de reivindicações para a Universidade Federal de Uberlândia demandando o retorno das atividades da assessoria jurídica popular da UFU para os movimentos sociais, criação de projetos de ensino, pesquisa e extensão voltados para a Reforma Agrária e Urbana, e não implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) no Hospital Universitário.

A UFU respondeu nossa manifestação (veja o video ao lado) com o fechamento dos portões e o som explosivo de uma arma de fogo disparada por um segurança privado a fim de reprimir a manifestação. Indignados os manifestantes exigiram a retirada das armas das mãos dos seguranças, o que foi acordado com a Polícia Militar e Polícia Federal e não foi cumprido.

Sob clima de tensão, nos mantivemos firmes mesmo com as intimidações, exigindo da reitoria da universidade a recepção de uma comissão do comitê para apresentação de nossa carta de reivindicações. Na parte da tarde a comissão foi recebida pelo vice-reitor Darizon Alves de Andrade, onde o mesmo não quis se comprometer com as reivindicações afirmando que não é função da Universidade atender as questões da Reforma Agrária. Sobre a vigilância o vice-reitor afirmou que defende o armamento para garantir a integridade patrimonial da universidade, mas não soube esclarecer como e de que forma.

O papel da Universidade Federal de Uberlândia está sendo o de produzir conhecimento orientado por uma lógica de um modelo de desenvolvimento econômico que exclui as camadas mais necessitadas e populares da sociedade uberlandense e região, não cumprindo com os objetivos da universidade pública de criar mecanismos de integração e desenvolvimento que estimule a solidariedade na construção de uma sociedade democrática e justa, no mundo da vida e do trabalho. Estes objetivos inclusive constam em estatuto da UFU o que demonstra o quanto é mentirosa as declarações do vice-reitor ao fazer uma afirmação que isenta a universidade de suas responsabilidades.

Em Uberaba
No mesmo dia, em outra ação do Abril Vermelho cerca de 80 famílias Sem Terra, do MST, do Acampamento Roseli Nunes II – MST do Triângulo Mineiro - ocuparam a Fazenda Inhumas, no município de Uberaba. Na madrugada de 18/04, por volta das 05h00min, um grupo de segurança privada da Empresa Máster chegou ao acampamento efetuando disparos contra os militantes. Sem mandado judicial, por volta das 08h00min, a Polícia Militar de Uberaba prendeu algumas das lideranças: Edvaldo Soares e Adelson Luís. A PM alegou flagrante o que não ocorreu uma vez que as famílias já estavam com suas barracas erguidas e com estrutura montada no imóvel. A Fazenda Inhumas faz parte de uma grande fazenda que foi desmembrada em três fazendas. As outras duas fazendas já estão tomadas por canavial que produz cana para a Usina Vale do Tejuco, que integra o Consórcio CMAA – Companhia Mineira de Açúcar e Álcool -, que está instalando mais outras duas Usinas na região do Triângulo.

Sabemos que isso tem a ver com a adoção do Estado brasileiro de um modelo de desenvolvimento voltado para o agronegócio exportador que traz consequências negativas para os trabalhadores no campo e cidade. Quem ousa lutar e resistir é tratado com repressão e violência.

O dia de 17 de abril de 2012 torna-se mais um marco histórico para a unidade da classe trabalhadora e para as lutas dos movimentos sociais de Uberlândia e região que não se curvam aos interesses do capital e lutam por outro projeto societário.

Reforma Agrária já!
Quando o campo e a cidade se unem, a burguesia não resiste!
Viva a unidade da classe trabalhadora do campo e cidade! 
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CARTA DO COMITÊ DE COMBATE A VIOLÊNCIA E CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS PARA A UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA
Uberlândia 17 de Abril de 2012
Entendendo que o Estado brasileiro hoje adotou como modelo de desenvolvimento o agronegócio exportador que traz consequências negativas para os trabalhadores no campo, quilombolas e indígenas;
Entendendo que este mesmo modelo afeta a população da cidade na medida em que a saída dos trabalhadores do campo levou a uma urbanização extremamente acelerada no Brasil sob os marcos da desigualdade social e ilegalidade;
Entendendo que o papel da Universidade Federal de Uberlândia está sendo o de produzir conhecimento orientado por essa lógica desenvolvimentista que exclui as camadas mais necessitadas e populares da sociedade uberlandense e região, não cumprindo com os objetivos da universidade pública de criar mecanismos de integração e desenvolvimento que estimule a solidariedade na construção de uma sociedade democrática e justa, no mundo da vida e do trabalho;
Entendendo que o parágrafo anterior tem como sua última evidência a proibição da ESAJUP (Escritório de Assessoria Jurídica Popular) em prestar atendimento e auxílio aos movimentos sociais de luta pela terra no processo da Reforma Agrária e que isso evidencia mais uma vez a exclusão de discriminação com setores das classes trabalhadores organizados ou não;
Entendendo que o conjunto de movimentos e entidades da sociedade sente-se mais uma vez prejudicada com a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares uma vez que ela significa a abertura da privatização da saúde pública;
Entendendo que existe uma onda crescente da violência, criminalização e extermínio de militantes dos movimentos sociais e populações pobres do campo e cidade na luta por seus direitos e condições dignas de sobrevivência tendo como último fato trágico, a execução de três militantes da reforma agrária de Uberlândia (militantes que inclusive estavam em áreas de conflitos em que a ESAJUP foi proibida de prestar auxílio jurídico pela reitoria da UFU).
Entendendo que o fato lamentável e ultrajante em que a segurança terceirizada da UFU apontou e disparou com uma arma de fogo para reprimir os manifestantes na atividade pacífica de hoje na porta da reitoria (atividade que justamente denunciava a questão da violência no campo e cidade);
Nós do Comitê de Combate a Violência e Criminalização dos Movimentos Sociais viemos colocar por meio desta, nossas demandas para a Universidade Federal de Uberlândia:
1)      Retorno das atividades de assistência da ESAJUP aos Movimentos Sociais;
2)      Criação de projetos de ensino, pesquisa e extensão que priorizem o auxílio às comunidades de assentamentos e acampamentos voltados para a Reforma Agrária e Urbana;
3)      Não implementação da EBSERH no Hospital Universitário da UFU.
4)      Desarmamento da segurança nos campi da UFU
5)      Audiência pública com o magnífico reitor Alfredo Júlio para esclarecimentos e posição oficial da Universidade frente às demandas.
Assinam este documento,
Comitê de Combate a Violência e Criminalização dos Movimentos Sociais.
MST, MLST, MPRA, MSTB, ADUFU, CSP-CONLUTAS, DCE-UFU, Coletivo DialogAção, Coletivo Vamos a Luta, Coletivo Juntos, Consulta Popular, Centro Acadêmico de História, Centro Acadêmico de Ciências Sociais, Movimento de Acesso ao Transporte Público, Central dos Movimentos Populares. 

FOTOS














domingo, 25 de março de 2012

Três sem terras são assassinados no município de Uberlândia (MG)

por Zé Carlos (Mov. Ação Popular)


Três coordenadores do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) foram covardemente assassinados, neste sábado, 23 de março de 2012, na rodovia estadual MG C - 455, entre Uberlândia e Campo Florido, no Triângulo Mineiro.

Segundo a Polícia Militar, os corpos de Valdir Dias Ferreira, 39, e "Dona Cristina" Cristina Leonor Sales Nunes, 47, estavam num Kadet, parado na estrada, provavelmente dirigido por Valdir, e teriam sido mortos dentro do veículo, onde foram encontrados. A terceira vítima, Nilton Santos Nunes da Silva, 51, de acordo com a PM, foi encontrado fora do carro, e teria sido morto quando tentava fugir.

Uma garota, neta do casal, que estava no carro e presenciou o crime, mesmo em estado de choque, deu informações aos policiais, que poderão levar aos autores do crime que teria ocorrido por volta das 9h da manhã deste sábado, a polícia só recebeu o chamado para ir ao local quase duas horas depois dos assassinatos. A criança que sobreviveu, porque não foi vista pelos assassinos, revelou a PM que um gol prata parou ao lado do Kadet que estava parado, do qual desceram dois homens que atiraram primeiro em Cristina, que estava no banco traseiro do veículo ao lado da neta, o segundo a ser morto com tiros no pescoço foi Valdir, em seguida "seu Milton", foi alvejado na cabeça enquanto tentava fugir. As três vítimas são da coordenação do MLST, do acampamento 21 de Agosto, na fazenda São José do Cravo, em Prata, também no Triângulo Mineiro.

Neste domingo chegaram a Uberlândia, Gercino José da Silva,
Ouvidor Agrário Nacional e Carlos Alberto Menezes de Calazans, Superintedente do Incra de Minas Gerais, para acompanhar o caso.
Há diferentes hipoteses dos motivos que levaram ao assassinato dos trabalhadores, mas a polícia cívil que investiga o caso até o momento não havia feito nehuma declaração oficial. 


Pela manhã dois ônibus com militantes de diversos movimentos da região se deslocaram rumo a Cachoeira Dourada onde seriam sepultados "Seu" Milton e "Dona" Cristina, já o corpo de Valdir foi velado em Uberlândia até as 10:00 e somente depois foi enviado  para o Estado de São Paulo, onde reside seus familiares. 

terça-feira, 6 de março de 2012

Não há vida digna para as mulheres com violência e sem direitos


Mulheres do PSOL no Dia Internacional de Luta das Mulheres

O PSOL vem às ruas novamente neste Dia Internacional de Luta das Mulheres para reafirmar que a luta contra o machismo e o capitalismo se faz todo dia. Resistindo e denunciando toda forma de violência sexista, a opressão e o controle sobre nossos corpos e decisões.Almejamos uma sociedade socialista e livre, na qual as mulheres tenham vez e voz, superando definitivamente a opressão de gênero e de classe.
“É nesse contexto que denunciamos e combatemos a violência sexista, resultante  da ideologia machista e patriarcal que considera a mulher um ser menor,sem direitos, subalterno. Essa violência se repete diariamente e moldou um comportamento de aceitação e trivialidade que nos indigna. Ela se expressa nos vários  tipos de violência que se impõem sobre as mulheres, seja a violência física, simbólica, patrimonial, institucional,  seja a violência estrutural do sistema capitalista que retira direitos essenciais como saúde, educação, moradia, previdência social, emnome da manutenção do lucro do  grande capital”.
Se no primeiro mandato da presidenta Dilma houve, já no primeiro mês, cortes de orçamento em áreas sociais importantes para a vida das mulheres, hoje vemos em curso a consolidação de uma política de saúde da mulher vinculada à sua função procriativa e que criminaliza o aborto, como é o caso da Rede Cegonha, da sanção da MP557 (Cadastro de Gravidez) e a nomeação do Senador Marcelo Crivella, principal figura pública da bancada pró-vida no senado, para o Ministério da Pesca.Infelizmente, pautas das mulheres e LGBTs, como a PLC 122e o kit anti-homofobia, são utilizadas como barganha com a bancada conservadora, evidenciando que o governo petista está do lado dos corruptos e do empresariado brasileiro, desenvolvendo o capitalismo brasileiro e não se preocupa em extinguir as estruturas de sua exploração e opressão.
Com o recrudescimento da violência machista em nosso país, que vem causando o aumento de assassinatos de mulheres vítimas de seus companheiros ou de homens da família, assim como os casos de estupro de mulheres em transportes públicos e lesbofobia, torna-se urgente a implementação do Pacto de Enfrentamento à Violência contra Mulher. Porém, com oscortes nos orçamentos federal e estaduais, não se garante a infra-estrutura e investimentos mínimos necessários para assegurar o funcionamento eficaz da Lei Maria da Penha, o que poderia garantir a vida e integridade física de milhares de mulheres brasileiras.
Por outro lado, a violência estrutural existente em nossa sociedade também trás, consigo, um viés de gênero e de raça. As mulheres negras e indígenas são maioria nos movimentos de luta por moradia e nas comunidades e territórios apropriados pelo setor privado, assim como pelo poder estatal. É com a utilização do aparato policial e judiciário, que o governo Dilma e diversos governos estaduais promovem remoções forçadas nessas comunidades e territórios para destiná-los às obras da Copa do Mundo, às obras do PAC e obras de especulação imobiliária em geral em várias partes do país, principalmente Amazônia e no semi árido nordestino.Um exemplo grave desse tipo de violência foi o ocorrido em Pinheirinho, cidade de São José dos Campos, e o que se anuncia novamente no Quilombo Rio dos Macacos, na Bahia. Outros casos como esses se repetem em várias cidades que sediarão a Copa e em vários territórios indígenas e camponeses com as obras de Belo Monte, da Transposição do Rio São Francisco, entre outros.
Nesta conjuntura tão adversa, é preciso construir o protagonismo feminista e socialista nas lutas e na denúncia das violências sofridas pelas mulheres epelo conjunto da classe trabalhadora brasileira. A atualidade do Dia Internacional de Luta das Mulheres, que foi inaugurado pelas mulheres russas em 1917, se expressa no enfrentamento da desigualdade de classe e entre homens e mulheres, da violência sexista e dos valores patriarcais ainda tão cristalizados em nossa sociedade. É por isso que as mulheres assumiram o protagonismo em vários movimentos e insurreições por todo o mundo. É por isso que o 8 de março segue sendo uma inspiração na luta feminista do PSOL para continuar lutando por socialismo e liberdade!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Sobre a possível prática de corrupção na saúde pública de Araguari

Comunicado:

O CDS (Campo do Debate Socialista) Núcleo Araguari vem por meio deste prestar solidariedade e apoio a servidora municipal Mirian Lima, que mediante denúncias feitas junto ao Poder Legislativo, expos graves penalidades que circundam a saúde pública em Araguari.

Entendemos o quanto e oneroso e perigoso se manter honesto perante as atrocidades cometidas pelo status quo, que se mantem no poder na cidade a décadas. Por isso acreditamos que o primordial neste momento, e a manutenção e respeito aos direitos existentes em uma nação democrática.

Também e passível de crítica a postura adotada pelos oportunistas de plantão. Sobre uma falácia politiqueira, tentam beneficiar – se da conjuntura que se forma. Criando mecanismos que atendam a interesses privados, porém invernizados com uma demagogia populista.

Para o CDS a saúde pública vai para além de classes e categorias; a saúde pública de qualidade e um direito dos cidadãos é um dever inalienável do Estado. Para que a saúde pública obtenha um grau de satisfação e qualidade, deve – se eliminar os beneficiamentos privados, bem como dar maior transparência e punir os culpados por tais crimes.

Araguari, 07 de Fevereiro de 2012

CDS – Campo do Debate Socialista – Núcleo Araguari

Notícias sobre o caso na mídia local:

http://www.gazetadotriangulo.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=18251:ex-diretora-faz-denuncia-de-possiveis-irregularidades-praticadas-no-pronto-socorro&catid=14:politica&Itemid=160 

http://www.gazetadotriangulo.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=18279:comissao-sindicante-apura-denuncia-de-corrupcao-no-pronto-socorro&catid=14:politica&Itemid=160

http://www.gazetadotriangulo.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=18328:com-apenas-tres-assinaturas-instauracao-de-clida-saude-nao-e-aprovada&catid=14:politica&Itemid=160

http://www.gazetadotriangulo.com.br/novo/index.php?option=com_content&view=article&id=18303:abaixo-assinado-pode-requerer-instauracao-de-cli-na-saude&catid=14:politica&Itemid=160

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Nota do PSOL-SP sobre a desocupação do Pinheirinho


Na última quarta-feira, dia 11, os moradores do Pinheirinho, uma ocupação com mais de 1600 famílias em São José dos Campos, interior de São Paulo, receberam uma ordem de despejo. Mesmo depois de tentativas de mediação por parte dos governos federal e estadual, a prefeito Eduardo Cury, do PSDB, e a juíza Márcia Loureiro seguem irredutíveis na intenção de expulsar os moradores da área, inclusive boicotando as reuniões de conciliação.


A prefeitura não oferece nenhuma alternativa para os moradores e tem colocado empecilhos à regularização da área. Pelo contrário, há um déficit de mais de 26 mil moradias na cidade e nenhuma casa sendo construída pelo CDHU.

Cabe registrar que o terreno onde aconteceu a ocupação pertence ao grupo de Naji Nahas, conhecido especulador que ficou famoso depois de ter sido acusado de quebar a bolsa de valores do RJ em operações ilegais. A dívida de IPTU do terreno é superior a 15 milhões de reais. Perguntamos: que justiça é essa que privilegia esse “cidadão” em detrimento de milhares de famílias?

Para defender o direito a uma moradia digna os mais de 5 mil moradores da área prometem resistir e já estão se preparando. O PSOL apoia o Pinheirinho e seus moradores e oferece toda ajuda que puder dar a essa luta. Também repudia qualquer tentativa de desocupação na força, o que só piorará a situação e trará ainda mais prejuízos para os moradores.

Fonte: http://psol50.org.br/