sábado, 26 de maio de 2012

Em pleno século XXI, presenciamos a existência de trabalho escravo no Brasil!



Dia 22 de Maio de 2012, o MLT denunciou no Ministério Público do Trabalho da cidade de Uberlândia a existência de trabalho escravo na Fazenda Boa Estivinha, localizada aqui no Triângulo Mineiro. O número do Protocolo da denúncia é 1081/2012.

Na denúncia, o MLT relata que o senhor Cícero de Carvalho, vulgo baiano, com aproximadamente 73 anos, trabalha para o proprietário, Milton Pereira Sundário e anteriormente para seu sogro Sr. Laerte, da Fazenda Boa Estivinha, há 20 anos sem nunca ter recebido qualquer espécie de salário ou remuneração.

Esse senhor trabalha sem condições de trabalho dignas, alojando-se em um casebre precário, sem cama, energia, comida e saneamento básico. Ele nunca teve tratamento de saúde, cuidando da propriedade para o fazendeiro de forma análoga a escravidão, sofrendo contínuas humilhações. Ressalte-se que não lhe era permitido nem ao menos sair da propriedade para tirar seus documentos comuns a qualquer cidadão. O patrão não permitia que ele ocupasse outras casas melhores próximas ao seu alojamento. Por fim, devido à idade do empregado, e conseqüente impossibilidade de trabalhar, e por conta de uma possível venda da fazenda, o patrão retirou a água do casebre do empregado há mais ou menos 5 anos para obrigá-lo a sair do local. Tentou-se obrigar o empregado a assinar documentos desonerando o empregador de qualquer responsabilidade e quando o senhor Cícero se recusou a assinar sofreu ameaça de morte.  Conforme o denunciante, o MLT fechou a área para garantir a integridade física do empregado, todavia, foram também ameaçados, sendo que o empregador acionou a polícia e foi registrado o Boletim de Ocorrência 66724-22/06/2012.

Ressalta-se que o risco de vida do senhor Cícero é iminente e requer medidas urgentes. Nessa oportunidade, puderam verificar outras irregularidades trabalhistas agora sob responsabilidade concomitante dos arrendatários Sérgio e Ivaldo: Empregados sem registros, sem anotação na CTPS, transporte irregular com risco de vida, trabalho infantil e de adolescentes, idosos, não é oferecido EPI, comida ou ferramentas de trabalho, sem alojamento para refeições, sem sanitários para necessidades básicas.

Finalmente, no dia 22 de maio de 2012 constatou-se a existência de um empregado chamado Pedro e de seu filho, com 12 anos, que também presta serviços, desta vez sob a responsabilidade do parceiro-proprietário Paulino e de Milton. Estes empregados alojam-se na fazenda e laboram cuidando de porcos. Não há água, energia, fornecimento de comida, registro, anotação da CTPS, nem ao menos pagamento de salário por 4 meses, que é o tempo em que os mesmos prestam serviço. O denunciante pediu para constar que o fazendeiro abordou a equipe de proteção aos Direitos Humanos, em especial o senhor Mirson Martins Fernandes que acompanhou a investigação, membro da Comissão de Direitos Humanos, membro da FOPIR – Fórum da Igualdade Racial, coletando seus dados pessoais e o mesmo teme por sua vida.

Nesse mesmo dia, o Congresso Nacional em Brasília-DF, aprovou com 360 votos favoráveis, 29 votos contrários e 25 abstenções, a Proposta de Emenda Constitucional 438/2001 que pretende combater a existência do trabalho escravo no Brasil, confiscando toda e qualquer propriedade que for flagrada com trabalho escravo, e destinando-as ao processo de Reforma Agrária.

Nós, do Campo Debate Socialista, não nos iludimos com a propaganda realizada pelo Governo Federal e pela grande mídia, de que vivemos em um país em grande desenvolvimento econômico e social. Em nada adianta o Brasil ser a 6ª maior Economia do planeta, se encontramos milhares de situações em todo o país com inúmeros trabalhadores no campo e na cidade vivenciando relações de trabalho análogas à escravidão, e com a grande parte dos trabalhadores que vivem dos seus próprios trabalhos submetidos às precárias condições de trabalho em um processo de superexploração. Esses elementos caracterizam o caráter dependente da economia brasileira no contexto internacional.

Estamos convencidos que a luta contra o trabalho escravo, contra esse modelo econômico pautado em grandes monoculturas com a produção de commodities que impedem a realização de uma necessária reforma agrária sob controle dos trabalhadores no país; é na essência uma luta contra o capital e sua lógica destrutiva. Não haverá dentro dos marcos da lógica capitalista, a realização de uma verdadeira reforma agrária sob controle dos trabalhadores e superação da precarização, alienação e superexploração do trabalho.

Expressamos nosso apoio ao MLT e a todos que protagonizam a luta pela Reforma Agrária sob controle dos trabalhadores e a luta contra a existência de trabalho escravo no Brasil.

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Campo Debate Socialista, 26 de Maio de 2012



Abaixo segue fotos divulgadas pelo MLT sobre a denúncia de Trabalho Escravo














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